Os primeiros passos
Pelos idos no início dos anos 90, Paulo Cesar da Rocha, já com uns 25 anos, gostava de damas mas não jogava muito. Foi então que no trabalho da Caixa passou a trabalhar com o Raimundo Nonato Sousa Castro, conhecido como Raimundão, que gostava muito de damas. Logo passaram a jogar na brincadeira, na casa dele ou no sítio, e em pouco tempo começaram a participar de torneios que se faziam nas calçadas dos bairros de Teresina e em vários torneios realizados no CSU do Parque Piauí, organizados pelo Sandoval Regino.
Esses torneios eram feitos com vários jogadores considerados fortes de Teresina e era tudo feito de forma rudimentar, com as damas nas pernas, sentados em cadeiras de espaguetes e usando o tabuleiro com o carreirão errado — ou seja, os quadros escuros com a diagonal da direita para a esquerda.
Haviam outros pontos espalhados pela cidade, mas ao final de quase toda tarde havia jogo também na Avenida Miguel Rosa, no Bar do Botelho. Foi ali que Paulo Cesar começou a conversar com alguns damistas sobre a ideia de fundar uma Associação, visto que ele sempre tinha consigo o sentimento de tornar o jogo de damas mais oficializado, usar regras oficiais e locais melhores para realizar os torneios.
Fundação da Associação (1997)
Ao participar de vários torneios no CSU, onde os jogadores de Teresina que gostavam de torneios estavam, Paulo Cesar foi colocando a ideia e então resolveram fundar a Associação de Jogo de Damas de Teresina em 1997 — uma foto histórica registra esse grande passo.
No dia 01 de maio de 1997, foi realizada a assembleia de fundação da Associação Teresinense de Jogo de Damas, onde foi aclamado como presidente Paulo Cesar da Rocha, que escolheu como parte da diretoria os jogadores José Clementino, Sandoval Regino e Raimundo Nonato Castro. Esse passo depois viria a resultar na fundação e transformação em federação em 2011.
O primeiro Campeonato Piauiense
Já em 1997, foi realizado o primeiro Campeonato Piauiense de Damas de 64 casas, dentro das regras oficiais, incluindo o carreirão da forma correta — mudando o lado da grande diagonal, passando a jogar com o tabuleiro postado de forma correta, as damas nas mesas e campeonatos realizados em locais fechados e adequados à prática do esporte. Passos importantes para a adequação e para poder disputar eventos nacionais.
Neste mesmo ano de 1997, a delegação piauiense participou do Campeonato Brasileiro de Damas em São Paulo, na cidade de São Caetano do Sul. Pela primeira vez, o Piauí tinha dois representantes oficiais: Paulo Cesar da Rocha como dirigente da Associação e Francisco Soares Barbosa (Cajuí) como campeão piauiense de 1997. Desde essa época, o Piauí quase todos os anos teve representante oficial no Brasileiro de Damas 64 casas.
Desde 1997, o Campeonato Piauiense de Damas modalidade 64 é realizado todos os anos. Talvez o Piauí seja o único estado a realizar todos os anos o campeonato estadual sem falhar nenhum ano.
A Federação (2011)
Em 2011, foi decidido regularizar a representação, fundando a Federação do Piauí com CNPJ 14.209.259/0001-51, denominada Federação Piauiense de Jogo de Damas (FPJD). Um trabalho árduo que Paulo Cesar se predispôs a realizar — desde fundar e registrar em cartório, prefeitura, CNPJ na Receita Federal, registro na Junta Comercial, redigir o Estatuto da Federação, obter assinatura de advogado, pagar do próprio bolso as taxas exigidas e sobretudo conseguir assinatura de cinco entidades/clubes para compor a federação. As dificuldades são tantas que, na verdade, existem poucas federações de damas fundadas e regulares no Brasil.
É importante dizer que neste período todo houve apenas três presidentes: Raimundo Nonato Alencar esteve como presidente por um curto período, logo abdicando; Washington Luiz Evangelista Sousa também por um período curto, igualmente abdicando; e desde a fundação até o momento, Paulo Cesar da Rocha ficou à frente como presidente. Isso mostra que não é fácil a tarefa de ser presidente, pois tem que fazer por amor, ter muita abnegação, gastar do bolso, conhecimento e dedicação ao fazer as coisas com seriedade e de forma oficial.
É importante frisar que nunca se faz nada sozinho e Paulo César sempre teve o apoio de uma boa parte de jogadores mais abnegados, todos sempre apoiando na prática do esporte como também na colaboração mínima mensal para que se possa seguir evoluindo e galgando espaços maiores, com vários desafios para mostrar à sociedade que o jogo de damas é esporte sim e tem sua importância em vários aspectos da vida da população — seja de jovens, adultos ou idosos, visto que para praticar o jogo de damas não tem idade, basta gostar e se dedicar.
Os grandes nomes
Ao longo da história do jogo de damas no Piauí, vários jogadores tiveram seus nomes lembrados da época do jogo totalmente amador/amistoso, quando eram chamados de grandes jogadores antes da organização oficial dos torneios. Eram realizados torneios nas calçadas e nas casas de alguns abnegados, e se ouvia falar de grandes jogadores da época quando não havia literatura e o jogo prático era o que reinava. Nomes como Chaga Damião, Milton (o Pelé), Valdinar no bairro Piçarra e outros.
Mas o grande nome sempre foi Luziano Miranda, que saiu viajando o Brasil inteiro desafiando os campeões de cada local e com isso ganhou o apelido de "caçador de campeão". Luziano — já aposentado dos tabuleiros pela idade avançada — era um jogador respeitado por todos e é até hoje. Sempre obteve sucesso em suas andanças pelos estados, principalmente onde o jogo de damas era tido como forte e evoluído no Brasil, como nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Luziano foi o único jogador brasileiro a desafiar e jogar com o jogador russo Iser Kuperman em jogo apostado, onde saiu-se vencedor por duas ocasiões.
Após fundar a Associação Teresinense, Paulo César fez o convite ao Luziano para retorno ao Piauí, e coincidiu que o mesmo estava voltando a morar no Piauí na cidade de Demerval Lobão. Luziano passou a jogar e participou de alguns campeonatos piauienses, sendo Campeão Piauiense no ano de 2000.
A evolução técnica
Com a fundação da Associação e depois da Federação, com a organização de torneios regulares e a reunião de jogadores praticando o esporte na sede, passou-se a elevar o nível técnico do jogo de damas no Piauí. Somado a isso, houve o aparecimento de jogadores muito focados no esporte, como Franco Alexandre, Robério Barbosa e Gregório Jadão. Com a organização da federação e com a disponibilidade de material de estudo e computador, o nível técnico cresceu de forma rápida e grandiosa.
O aparecimento dos jogadores Franco Alexandre, Robério Barbosa e Gregório Emanuel, somado ao desempenho sempre forte do Assis Sousa (vulgo Assis Paraíba) — o cego que tudo vê, um capítulo à parte — fez surgir um domínio técnico. Primeiro, Franco Alexandre ganhou três piauienses seguidos em 2004, 2005 e 2006, onde em 2004 venceu com altivez o temido Luziano Miranda.
A partir de 2007, estabeleceu-se a hegemonia de Gregório Emanuel e Robério Barbosa, que dura até hoje (2026), num cenário dominado pelos dois protagonistas do Piauí. Gregório Emanuel Jadão da Costa sempre mostrou uma boa supremacia, inclusive com grandes resultados em nível nacional — chegou a ser Campeão Brasileiro Sub-23 e Absoluto em 2011, entre vários outros títulos em torneios Brasil afora, sendo Campeão da Copa do Brasil e Taça Brasil por algumas vezes. Em nível técnico, Gregório Emanuel chegou a ser considerado o melhor jogador do Brasil em dado momento e é considerado o melhor jogador do Piauí de todos os tempos até o momento, mesmo que ainda haja rivalidade entre Gregório e Robério.
O Piauí no cenário nacional
Como houve uma melhora técnica dos jogadores e evolução organizacional tanto da federação pelo trabalho da diretoria quanto pelo empenho dos jogadores, hoje o Piauí é destaque no cenário nacional, sendo considerado um dos estados mais fortes quando se trata do top 10 dos jogadores estaduais.
Em competições nacionais, os jogadores piauienses sempre estão conquistando boas colocações: Gregório Emanuel foi Campeão Brasileiro Absoluto e Sub-23; Franco Alexandre sempre obteve boas colocações; Robério Barbosa já foi terceiro colocado em brasileiro; e Francisco de Assis Sousa, mesmo sendo deficiente visual, já foi vice-campeão brasileiro.
Hoje a federação encontra-se com organização bem estruturada, material de excelente qualidade e jogadores de nível técnico excelente. Porém, tudo se deve ao esforço da presidência, diretoria e dos jogadores que contribuem cada um com algum valor mensal e outros somente com a participação em torneios — tudo isso sem nenhum apoio financeiro de qualquer órgão público ou privado, pelo menos até o momento.